Manchetes desta Quarta-feira

JORNAL DO BRASIL

- Presídios estão fora de controle

- O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Airton Mozart Valadares Pires, afirmou em entrevista ao JB que “não podemos esconder a verdade”, quando questionado sobre o fato de uma juíza desconsiderar que estava encarcerando uma menor de idade no meio de 20 homens. “No Pará, como em todos os outros Estados, o Brasil perdeu o controle de suas prisões. E o Estado que tem a obrigação da administração dos presídios, das cadeias públicas”, comentou. Na opinião de Mozart Valadares, o juiz só pode mandar uma pessoa para a prisão quando ela oferece efetivamente risco à sociedade. (pág. 1 e País, pág. A3)

- A Petrobras já começou a perfurar duas novas acumulações de gás e petróleo abaixo da camada de sal na Bacia de Santos, chamadas provisoriamente de Bem-te-vi e Júpter. A exploração promete revelar dois novos campos de Tupi - uma grande reserva de energia, que deverá entrar em produção a partir de 2012. (pág. 1 e Economia, pág. A17)

- Executivo, Legislativo, Judiciário e o Ministério Público da União querem contratar exatamente 56.348 funcionários no próximo ano. Assim, as despesas do exercício somarão R$ 1,89 bilhão. Só para o Executivo são 40.032 contratações, para aumentar a qualidade do serviço público, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (pág. 1 e País, pág. A2)

FOLHA DE SÃO PAULO

- Natal tem 78% a mais de mortes nas estradas

- Balanço da Polícia Rodoviária Federal indica crescimento de ao menos 77,8% no total de mortes nas estradas federais durante o feriadão de Natal em relação a igual período de 2006. Da 0h de sexta-feira até as 6h de ontem, 160 pessoas morreram nas rodovias federais. No ano passado, as mortes foram 90 nos quatro dias de feriadão. Em 2005, a PRF registrou 91 mortes durante o período natalino. (…) (pág. 1)

- Em uma ofensiva à sonegação envolvendo benefícios indiretos pagos por corporações (os chamados “fringe benefits”), a Receita Federal iniciou uma devassa em grandes empresas de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal para investigar o uso indevido de cartões corporativos. No Estado de São Paulo, 38 estabelecimentos -inclusive multinacionais- já estão sob ação fiscal. No Distrito Federal, mais de 150 empresas estão sendo investigadas. O uso do cartão corporativo para pagamento de salário indireto vem se disseminando entre os empregadores porque permite a redução de encargos e sonegação de impostos. A Receita não informa os setores e os nomes das empresas, sob o argumento de que estão protegidos pelo sigilo fiscal. (…) (pág. 1)

O ESTADO DE SÃO PAULO

- Incêndio no HC deixa 4 mil sem atendimento

- Pelo menos 4 mil pessoas por dia ficarão sem atendimento médico a partir de hoje por causa do incêndio que atingiu o Hospital das Clínicas na noite de Natal. Somente cirurgias de urgência e consultas de casos graves serão realizadas. A direção do hospital, o maior da América Latina, estima que o atendimento só vai começar a se normalizar dentro de três dias. O fogo começou no subsolo do Prédio dos Ambulatórios, após curto-circuito nos tubos de transmissão de energia elétrica. A fumaça se espalhou rapidamente pelos dutos de ar-condicionado. As luzes se apagaram, provocando pânico e correria. Pacientes tiveram de ser transferidos às pressas, de forma improvisada, mas ninguém saiu ferido. Pelo menos 42 viaturas dos bombeiros foram mobilizados. Inaugurado em 1981, o edifício onde funcionam os ambulatórios vem passando, desde 2005, por obras na rede elétrica, por determinação do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru). Ainda serão instaladas novas portas corta-fogo. Sensores de fumaça já foram colocados, mas falta liga-los a uma central. (págs. 1, C1 e C3 a C8)

- Notas e Informações - O risco de repique inflacionário manda um recado ao governo: é hora de pensar no controle de gastos e de procurar padrões mais eficientes de trabalho e de uso do dinheiro público. (págs. 1 e A3)

- A Justiça italiana determinou a prisão de 140 latino-americanos, entre eles 13 brasileiros cujos nomes não foram divulgados. Eles são acusados de responsabilidade na morte de 25 italianos em ações de repressão promovidas por regimes militares da América do Sul nos anos 70. A lista inclui os ex-presidentes Jorge Rafael Videla (Argentina) e Juan Maria Bordaberry (Uruguai). (págs. 1 e A6)

O GLOBO

- Brasileiros ligados à ditadura têm ordem de prisão na Itália

- A Itália emitiu ordens de prisão contra 140 ex-integrantes da Operação Condor, que uniu durante as décadas de 1970 e 1980 os regimes militares da América do Sul. Entre os acusados estão 13 brasileiros, que não tiveram seus nomes revelados, além de alguns dos principais líderes das ditaduras do Cone Sul, como os ex-presidentes Rafael Videla, da Argentina, Augusto Pinochet, do Chile, e Juan Maria Bordaberry, do Uruguai. A Justiça italiana deverá enviar amanhã pedidos de extradição para sete países. A juíza Luisanna Figliolia chegou a assinar 146 mandados de prisão para 61 argentinos, 32 uruguaios, 22 chilenos, sete bolivianos, sete paraguaios e quatro peruanos. Seis deles, no entanto, já morreram. Eles são acusados da morte de pelo menos 25 italianos na América do Sul. A primeira prisão, a do ex-agente secreto uruguaio Nestor Jorge Fernández Troccoli, foi feita na véspera de Natal na cidade de Salerno, no Sul da Itália. (págs. 1 e 24)

- A diretoria da Anac prevê um fim de ano tranqüilo nos aeroportos, mas continuará fazendo fiscalização especial. O índice de vôos atrasados, que chegou a 31,6% no sábado, caiu para 3,7% ontem. Na média, os atrasos foram bem menores que no Natal de 2006. (págs. 1 e 4)

- Para afastar o risco de colapso nos portos, o governo gastará R$ 1 bilhão em dragagem em 2008, e Santos será prioridade. Novos portos serão oferecidos a empresas, inclusive estrangeiras, que deverão investir R$ 7,2 bilhões. (págs. 1, 20 e 21)

GAZETA MERCANTIL

- Seguro popular é mercado de US$ 170 bilhões

- Vender seguro para pessoas com menor renda é o grande desafio das seguradoras em todo o mundo. Na América Latina, o mercado é estimado em US$ 509 bilhões, sendo US$ 170 bilhões no Brasil, com um público estimado em 100 milhões de pessoas. No mundo, o potencial estimado é de 4 bilhões de pessoas, que têm renda anual inferior a US$ 3 mil por habitante. “Este é um mercado de consumo de US$ 5 trilhões”, diz Antonio Cássio dos Santos, presidente da Mapfre e da Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência e Vida).

Quase 80 milhões de pessoas em todo o mundo compram 357 produtos identificados como microsseguros. No Brasil, a ACE foi a primeira a lançar o produto e tem hoje mais de 2,5 milhões de pessoas com apólices que custam até US$ 4 por mês. A demanda maior dessa faixa é de apólices para incapacidade temporária, residências e para o pagamento de dívidas. (págs. 1 e B1)

- A Embraer anunciou que pretende adquirir a totalidade do capital da joint-venture Embraer Liebherr Equipamentos do Brasil (Eleb), fabricante de trens de pouso. (págs. 1 e A7)

- O senador Sérgio Guerra avalia que conseguiu ao menos duas vitórias no comando do PSDB: controlou brigas internas e derrotou o Planalto com o fim da CPMF. (págs. 1 e A8)

- As importações de diesel registram crescimento de 58% neste ano em relação a 2006, para garantir o abastecimento que é impulsionado pela expansão da economia.

Foram trazidos 3,9 bilhões de litros de janeiro a outubro, mais que toda a quantidade importada no ano passado, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). Foram gastos, no período, US$ 2,2 bilhões para importar óleo diesel, 77% mais que no ano passado. O preço médio comercializado pelo Brasil no mercado internacional foi de US$ 1,77 por litro.

O presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra, afirmou que as vendas do combustível diesel cresceram cerca de 4,5% neste ano. A comercialização de derivados do produto cresceu 6%.

Internamente, entretanto, a produção de diesel cresceu apenas 0,7%. A produção de petróleo está crescendo, porém em ritmo bem mais lento que o da economia, apesar dos esforços da Petrobras para aumentar o volume, com a entrada em operação de novas plataformas de exploração.

Entre janeiro e outubro deste ano, as refinarias abasteceram o País com 31,2 bilhões de litros de diesel e cerca de 1 bilhão de litros foi exportado. (págs. 1 e C3)

- A viabilidade econômica do campo de Tupi, na Bacia de Santos, já não tira mais o sono dos técnicos da Petrobras. Os primeiros trabalhos exploratórios indicam potencial de 1 milhão de barris ao dia de petróleo. Esse volume representa pouco mais da metade de toda produção atual da estatal - de 1,9 milhão de barris ao dia -, apenas com petróleo leve, mais valorizado no mercado internacional. Em gás natural, só em Tupi o potencial pode chegar a 33 milhões de metros cúbicos diários, mais do que prevê o contrato de importação da Bolívia.

Tupi pode ser acompanhado de outras grandes descobertas. Semana passada, a Petrobras iniciou a perfuração de Bem-te-vi e Júpiter. Técnicos trabalham a toque de caixa para antecipar os resultados exploratórios. A área de exploração e produção da estatal precisará ampliar o orçamento para pôr em operação a Bacia de Santos. (págs. 1 e A7)

- As áreas aptas ao cultivo de lavouras podem ser reduzidas em um terço caso a temperatura média do Brasil suba 0.3º até 2020, prevê a Embrapa. Por conta do aquecimento global, desde 1990 a temperatura subiu em média 0,7º e provocou graves alterações nas características de algumas regiões, como ocorreu em 69 municípios do Rio Grande do Sul. Em nove safras, essa região agrícola sofreu cinco secas, com danos à produtividade das lavouras locais de soja.

O pesquisador de Mudanças Climáticas Globais da Embrapa, Giampaolo Queiroz Pellegrino, explica que o estudo não leva em conta eventuais avanços tecnológicos, como o desenvolvimento de variedades de plantas resistentes à seca.

Coincidência ou não, migrações de cultivo já estão ocorrendo, por exemplo, na cultura do café em Minas Gerais, São Paulo e Paraná, ressalta Pellegrino. Essas são as lavouras mais vulneráveis às mudanças climáticas. Muitos agricultores estão erradicando suas plantações nas baixadas e as transferindo para as localidades de maior altitude.

Se a alteração do clima preocupa a médio prazo, no curto prazo o fenômeno climático La Niña já não está sendo visto como uma ameaça. Segundo Paulo Etchitchury, da Somar Metereologia, o regime de chuvas na maioria das regiões produtoras do País será o típico de verão. As freqüentes precipitações garantem boa reserva hídrica para as lavouras. (págs. 1 e C6)

- O governo do Estado de São Paulo quer privatizar a CESP. O leilão, em bloco único, está previsto para meados de 2008, segundo nota divulgada na CVM. (págs. 1 e A7)

CORREIO BRAZILIENSE

- Acidentes matam 134 nas rodovias

- Apenas três dias foram suficientes para mostrar a realidade assustadora das estradas brasileiras. Segundo o levantamento da Polícia Rodoviária Federal, 134 pessoas morreram entre sábado e segunda-feira no feriado prolongado. O número é 49% maior do que a quantidade de mortos no mesmo período de 2006. Pelas estimativas da PRF, o Natal de 2007 já é o mais violento dos últimos quatro anos. O estado que lidera as estatísticas é a Bahia, onde 11 pessoas morreram e sete ficaram gravemente feridas em um choque entre um ônibus e uma carreta no domingo. A grande quantidade de acidentes nas rodovias é conseqüência do fluxo maior de motoristas, que optaram pelo carro devido à extensão do feriado de Natal (numa terça-feira) e dos problemas dos aeroportos. (págs. 1 e 9)

- Volume de dinheiro desviado preocupa a Polícia Federal, que só em 2007 prendeu 310 funcionários federais, estaduais e municipais. Em apenas sete das 54 operações para apurar corrupção e fraude, o valor chegou a R$ 4 bilhões. No Sudeste, região que concentrou a maioria dos flagrantes, ostentação do patrimônio acumulado com recursos roubados surpreendeu investigadores. (págs. 1 e 2)

- Oferta de financiamento para compra de imóvel triplicou nos últimos cinco anos, favorecida pela estabilidade dos preços, redução dos juros e mudanças na legislação para dificultar calotes, mas ainda não beneficia compradores de baixa renda, onde o déficit é maior. Desafio, no DF, é a falta de terrenos para atender a crescente demanda da construção civil. (pág. 1 e Tema do Dia, págs. 10 e 11)

- Justiça italiana pede a extradição de militares brasileiros. (págs. 1 e 16)

VALOR ECONÔMICO

- Cresce 400% a oferta de imóveis para a classe C

- Impulsionada pelo crédito farto, a oferta de imóveis voltados para a classe C, com valores variando entre R$ 50 mil e R$ 150 mil, teve forte expansão em 2007. Só neste ano as oito principais incorporadoras que vêm apostando nesse segmento econômico ampliaram seus lançamentos em mais de 400%. Ao todo, essas empresas colocaram no mercado quase 60 mil imóveis, com preço médio de R$ 100 mil. Em 2006 - quando as construtoras começaram a despertar para esse segmento, que ficou esquecido por mais de uma década em razão da escassez de crédito - essas mesmas oito empresas lançaram pouco menos de 11 mil casas e apartamentos voltados para a classe C.

“Não se trata de um crescimento gradual ou algo esperado pelo setor. É uma mudança completa de patamar”, afirma Leonardo Corrêa, vice-presidente e diretor de relações com investidores da mineira MRV, especializada em imóveis econômicos.

Neste ano, quando captou R$ 1 bilhão na abertura de seu capital, a MRV ampliou em quase quatro vezes o número de lançamentos. O mesmo se repete nas outras empresas que apostaram nesse segmento. A Tenda, que também atua com exclusividade junto à classe média baixa, aumentou seus lançamentos em dez vezes. Passou de 2 mil residências em 2006 para 20 mil unidades.

“Este foi o ano em que os imóveis populares se tornaram, de fato, um filão econômico de extrema importância para o setor e deixaram de ser um segmento marginal”, afirma Antônio Guedes, diretor de novos negócios da Cyrela, a maior companhia do setor, que no ano passado criou uma marca exclusiva para o segmento, a Living.

Com a demanda puxando a oferta, as companhias estão ainda mais otimistas para 2008, mesmo com os possíveis efeitos da crise do mercado subprime americano. Quase todas as construtoras e incorporadoras apostam em índices de crescimento de três dígitos. A Tenda, por exemplo, informou a seus investidores que lançará 30 mil unidades no ano que vem e mais 50 mil em 2009. Para Henrique Alves Pinto, presidente da construtora mineira, este é só o começo de um novo período para a construção. “Estamos iniciando um novo ciclo”, afirma. (págs. 1 e B6)

- Os grandes bancos privados preparam-se para deslanchar o crédito imobiliário para a baixa renda no próximo ano. Os planos estão apoiados no uso dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que permitirá a concessão de crédito para famílias com renda a partir de três salários mínimos. Só os bancos privados poderão utilizar R$ 3 bilhões do FGTS em 2008.

Somando-se a parcela repassada pela Caixa Econômica Federal, o total do crédito imobiliário para a baixa renda chegará a R$ 8,4 bilhões, em comparação com R$ 5,5 bilhões neste ano até novembro. Itaú e Real já preparam os primeiros negócios. HSBC, Bradesco e Santander também têm interesse nesse segmento, cujo déficit habitacional é de 1 milhão de unidades. (págs. 1, C1 e C3)

- Edward Amadeo: perda da CPMF abre oportunidade de interromper a “PTização” da política econômica. (págs. 1 e A11)

- Autuações da Receita Federal por supostas irregularidades no recolhimento de tributos sobre lucros no exterior e operações de comércio exterior envolvendo paraísos fiscais somaram R$ 15 bilhões até novembro, 130% mais que em todo o ano passado. (págs. 1 e A2)

- Reajustes de preços administrados pelos IGPs - elevados pelos alimentos neste ano - e previsão de câmbio mais alto em 2008 indicam pressões sobre a inflação no próximo ano. Alguns economistas vêem até a possibilidade de o IPCA superar a meta de 4,5%. (págs. 1 e A4)

- Pela primeira vez na história recente do mercado de capitais brasileiro, as ações de empresas novatas tiveram, em sua maioria, performance inferior à do Ibovespa. Dos 66 lançamentos de ações realizados ao longo do ano, 50 (76%) ficaram abaixo do índice e só 16 (24%) apresentaram desempenho acima do indicador. Do total, 39 ações estão cotadas abaixo do preço de lançamento, com destaque para o frigorífico Minerva, em queda de 44%. Já a Anhanguera Educacional acumula 92% de alta.

Com performances tão díspares, o investidor tende a mostrar preferência por empresas já conhecidas do mercado em 2008. (págs. 1 e D1)

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Márcio Loss

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