Entrevistas

Rui Costa fala sobre combate ao coronavírus na Bahia e detona comportamento de Bolsonaro: “Não tem respeito ao próximo”

05 de Maio de 2020 às 12h15 - Por: Beatriz Araújo Foto: Divulgação
[Rui Costa fala sobre combate ao coronavírus na Bahia e detona comportamento de Bolsonaro: “Não tem respeito ao próximo”]

Governador foi o entrevisto desta quarta-feira (5) no programa PNotícias, da Piatã FM

O governador Rui Costa (PT) foi o entrevistado desta terça-feira (5) no programa PNotícias, da Piatã FM, apresentado por Gomes Nascimento, e comentou os caminhos para o combate ao novo coronavírus (Covid-19) na Bahia. De acordo com Rui, o estado mantém um certo controle da contaminação, ficando abaixo da média nacional, sobretudo em razão do apoio da população que vem, em sua maioria, cumprindo as orientações de isolamento social. O governador ainda disse quais foram os seus pedidos ao novo ministro da Saúde, Nelson Teich, e criticou os últimos posicionamentos do presidente Jair Bolsonaro diante do cenário de pandemia do vírus que já matou cerca de 7.321 pessoas em todo o país, sendo 141 na Bahia.

Confira a entrevista na íntegra:

PNotícias: de acordo com o último boletim, são 3.734 casos confirmados e 141 mortos. Qual é a avaliação que o senhor faz desses dados? Quais são as ações e os esforços do Estado no combate ao novo coronavírus?
Rui Costa:
no caso da Bahia, nós temos conseguido manter sob controle a contaminação, garantindo que a Bahia fique um pouco abaixo da média nacional e a gente tem conseguido isso graças ao apoio da população que tem entendido a necessidade de ficar em casa porque isso reduz muito a contaminação. Nós estamos preparando os leitos de UTI e estamos aguardando a chegada de respiradores pra conseguir dar o atendimento à população que precisar ser atendida em UTI’s ou precisar de intubação, de apoio respiratório. 

PNotícias: como está atualmente a estratégia de enfrentamento à pandemia?
Rui Costa:
desde o início, a Bahia adotou uma estratégia diferente de outros estados, pelo tamanho da Bahia, a Bahia é do tamanho da França, ou seja, é um estado muito grande. Nós resolvemos desde o início atuar de forma regional, de forma municipal, microrregional, adotando restrições progressivas de acordo com o grau de contaminação de cada local. Uma das medidas que a gente adotou desde o início foi suspender o transporte público entre uma cidade e outra, entre uma região e outra, que tivesse contaminação. Com isso, você diminui o fluxo de pessoas e diminui a contaminação de cidades que não tiveram o vírus. Então, no dia de hoje, nós tivemos desde o início, 150 cidades de um total de 417 cidades, portanto, a grande maioria das cidades da Bahia não contraíram o vírus até esse momento. Das 150 cidades que contraíram, cerca de 30 cidades já têm mais de 14 dias sem registro do vírus. A gente usa essa referência de 14 dias porque é o tempo considerado para que as pessoas possam transmitir o vírus. Isso é um dado importante porque significa que são cidades que estão se livrando do vírus. 

PNotícias: se fala que o pico é entre o final de maio e início de junho. Saiu a informação ontem de que Salvador pode ficar sem leitos de UTI para Covid-19 a partir do dia 20 de maio. O senhor pensa em decretar o “lockdown”, governador?
Rui Costa:
ontem eu tive, inclusive, uma reunião por telefone e pela internet com prefeito, secretário de Saúde estadual e secretário de Saúde municipal, nós vamos adotando estratégias de acordo com o comportamento que for tendo do número de casos. Se o distanciamento social, como é chamado esse pedido das autoridades de ficar em casa, se ele diminuir, ou seja, se as pessoas saírem mais, tiverem mais contato, nós vamos sim apertar as medidas. É importante que as pessoas compreendam que nós não queremos aqui na Bahia cenas como vimos em outros países, ou até em outros estados do Brasil. Os Estados Unidos passam agora de 70 mil mortes, e olhe que eu estou falando do país mais rico do mundo, o próprio presidente americano revelou que pode chegar a 100 mil mortes nos Estados Unidos. Então isso não é brincadeira, isso é uma coisa muito séria, muito grave, é importante que todo mundo compreenda a necessidade diminuir o contato com outras pessoas, de ficar em casa, de não fazer aglomerações porque o vírus, ele se transporta de uma pessoa para outra e quanto mais contato social nós tivermos, maior será o contágio da população. 

PNotícias: além de ser governador da Bahia, o senhor também é presidente do Consórcio Nordeste e recentemente manteve contato com o novo ministro da Saúde. Qual é a avaliação do senhor sobre o novo ministro da Saúde e qual é a principal demanda apresentada ao Governo Federal?
Rui Costa:
a principal demanda apresentada é o pedido de equipamentos, em especial os respiradores, que é a máquina que ajuda quando a pessoa está sentindo falta de ar e isso salva muitas vidas humanas porque o vírus causa uma inflamação no pulmão, diminui a capacidade de oxigênio no organismo e esse equipamento é fundamental no tratamento do coronavírus. Justamente esse equipamento é que está em falta no mundo, hoje basicamente o grande produtor mundial é a China e houve uma demanda, uma corrida grande por esse equipamento e esse equipamento hoje se encontra escasso. Nós fizemos compras pelo Governo do Estado, compras pelo consórcio e não recebemos ainda esses equipamentos, a expectativa é de que semana que vem esses equipamentos cheguem e eles são extremamente importantes pra garantir assistência à saúde das pessoas. Nós pedimos ao ministro da Saúde que ajude os estados a adquirir esse equipamento e eu falo não só da parte financeira, eu falo inclusive do uso da influência do país, como nação, porque o que a gente vê no mercado internacional são os países, os líderes mundiais disputando esses equipamentos, enquanto aqui no Brasil, o Governo Federal não fez absolutamente nada no sentido de buscar garantir esses equipamentos para os estados e municípios. 

PNotícias: o presidente Jair Bolsonaro tem dado depoimentos que é a favor da flexibilização, tem criticado muitos governadores, inclusive criticou o senhor esses dias e o senhor até rebateu no Twitter. Como o senhor tem visto esse comportamento do presidente diante de uma pandemia?
Rui Costa:
eu vejo de uma forma muito temerária, é alguém que tem demonstrado que não tem apreço pela vida humana, não tem respeito ao próximo, trata muitas vezes com deboche, com brincadeira ou com agressão coisas sérias e portanto, não só eu, o Brasil inteiro, eu diria, a grande maioria da população hoje, assiste estarrecido o comportamento do presidente da República. É um motivo de grande e profundo desgaste do Brasil, da imagem do Brasil no exterior. Hoje, a imagem do Brasil está muito desgastada no exterior por conta desses comportamentos do presidente da República que trata de forma debochada, de forma irônica, a vida humana e a doença. Isso tem agravado a situação porque enquanto a gente vê em outros países do mundo os líderes mundiais deixarem a politicagem de lado e cuidar da população, aqui você assiste o presidente agredir todo mundo, todos os dias, fazer provocações e não se preocupar em ajudar a salvar vidas humanas. 

PNotícias: o senhor falou em politicagem e aqui na Bahia a gente tem observado que o senhor tem tido uma boa relação, não só com o prefeito ACM Neto, mas com os prefeitos da Região Metropolitana e interior do estado. Isso tem apresentado um reflexo positivo?
Rui Costa:
não tenho dúvidas disso. Acho que a Bahia hoje, comparado com outros estados do Brasil, está numa situação um pouco melhor, é porque nós temos trabalhado duro, firme, junto aos prefeitos e prefeitas, sem olhar a cor partidária ou partido político de qualquer prefeito da Bahia porque nesse momento, quando você tá tratando de vida humana, você não pode estar passando em política ou em partido político. Eu me lembro muito bem e gosto de repetir as frases que minha mãe educava os filhos e minha mãe sempre dizia pros filhos, desde pequenininho, isso nunca saiu da minha cabeça: “Trate os outros do jeito que você gostaria de ser tratado”. Então, é assim que eu me comporto. Toda vez que eu vou tomar uma atitude, eu pergunto a mim mesmo: “É assim que eu gostaria que as pessoas me tratassem?”. Então eu sei que num momento desses, em que as pessoas estão apavoradas, com medo de que seu pai, que seu filho, que seu ente querido pegue o vírus, que precise de UTI, que eventualmente corra o risco de ir a óbito, as pessoas estão em pânico, estão assustadas, preocupadas, então você tem que demonstrar e agir de forma a apoiar essas pessoas, ajudar essas pessoas e não fazer deboche e fazer pouco caso, como o presidente muitas vezes fez, chamando de gripezinha. Quando as mortes começaram a aumentar e ele pergunta: “O que é que eu tenho a ver com isso? Eu não sou coveiro”, ou a última declaração dele onde alguém diz “olha, bateu 6 mil mortes no Brasil já” e ele diz: “E daí? Quer que eu faça o que? Vai morrer mesmo”, então você vê, é um desprezo pela vida humana, um desprezo pelas famílias das vítimas, é realmente assustador a gente ver o comportamento do presidente quando ele devia estar demonstrando o mínimo de sensibilidade humana com o próximo. Aqui na Bahia, graças a Deus a gente tem feito um esforço grande de manter essa boa relação. Não interessa a disputa política partidária nesse momento, o que interessa é ajudar a vida humana. A política se faz depois, quando vier a eleição, aí cada um faz a sua política, o que não pode é agora você misturar as coisas e prejudicar a população. 

PNotícias: é notório que a Bahia tem hoje uma situação de controle da doença. O senhor não tem receio de que isso acabe motivando o povo pra relaxar naturalmente com o isolamento social?
Rui Costa:
esse é o grande problema e o grande dilema que nós temos que enfrentar. Ontem eu falava justamente isso na reunião com o prefeito porque quanto mais sucesso nós temos em nossa estratégia do isolamento social, mais a gente consegue conter os números e quando a população olha os números muito abaixo do que outros lugares, aí tem a falsa conclusão de “não há necessidade disso tudo, os números estão tão baixos, não estão altos como em outros lugares”. Mas a resposta é: os números estão baixos porque a população está em casa. Se a população sair, nós vamos explodir os casos como está acontecendo em outros lugares do mundo e aqui do Brasil, é importante que a população compreenda isso. Os números estão baixos não é por acaso, é porque o povo tem se mostrado determinado, a grande maioria, confiante, disciplinado. Os países asiáticos, a China, Coréia, eles conseguiram recuperar rapidamente por conta da disciplina e da determinação deles, ou seja, conseguiram ficar isolados, todos quando tinham que sair era obrigado o uso de máscara, ninguém saia sem máscara e isso reduz drasticamente a contaminação. É por isso que a gente faz um apelo grande, que as pessoas evitem sair de casa e se saírem, por favor, todos, agora é lei estadual, é obrigado a todos usarem máscara. Nós vamos ter que usar essas máscaras por muito tempo, até a vacina ser descoberta nós vamos ter que usar essas máscaras porque o vírus vai estar presente o tempo todo, ele não vai sumir de uma hora pra outra. O que nós queremos é reduzir a contaminação, agora pra alcançar zero casos, é muito difícil, nós vamos ter que ir controlando a contaminação e durante muito tempo as pessoas vão precisar usar máscaras. 

PNotícias: a gente tem percebido que as pessoas estão realmente usando as máscaras, o povo entendeu isso, mas algumas pessoas têm deixado a máscara no queixo, ou só usam quando acham conveniente. O senhor já observou isso também?
Rui Costa:
já e isso é importante que vocês da comunicação possam também ajudar conosco a orientar a população. Qual é o objetivo da máscara? É ser uma barreira mecânica. Quando você está usando a máscara, do lado de dentro do tecido vai ter sua saliva e do lado de fora, vai ter, provavelmente, micropartículas de saliva de outras pessoas. Então se você ficar colocando a mão toda hora na máscara, tira, coloca no queixo, você está espalhando o eventual vírus que esteja do lado de fora da máscara no seu corpo. Uma vez colocada a máscara, não é pra tirar e quando tirar, tem que tirar pelas extremidades, pelo elástico e lavar imediatamente, deixar de molho no sabão e depois deixar exposto ao sol pra matar o vírus. É importante que a pessoa use corretamente. A pessoa que coloca a máscara e só fica tirando, passando a mão no rosto e passando a mão na máscara, é pior do que se estivesse sem a máscara, então a gente faz esse apelo às pessoas para usar a máscara de forma correta. Tem que cobrir o nariz, tem que cobrir a boca, tem que estar presa no queixo, pra pessoa poder se proteger e proteger os outros. 

PNotícias: sobre as aglomerações nas agências da Caixa e lotéricas, principalmente, é muita gente, filas enormes. Como o senhor tem visto essa situação?
Rui Costa:
é preocupante. Semana passada, na quinta-feira, liguei pro superintendente da Caixa aqui na Bahia, conversamos, pedimos pra que ele contratasse mas vigilantes pra organizar as filas. Os prefeitos têm ajudado, fazendo marcação no chão, garantindo a organização das filas. Muitas vezes as pessoas não compreendem, ontem eu vi uma imagem em Ilhéus que é muito preocupante, a prefeitura junto com a Caixa marcou a rua inteira e a população colocou lá no lugar da fila o capacete, a bolsa e foi todo mundo se aglomerar no canto pra bater papo, pra conversar. Isso não pode em hipótese nenhuma, é preciso que as pessoas tenham extremo cuidado porque esse vírus mata e ontem completou o mundo 250 mil pessoas já mortas pelo vírus, isso dados oficiais, porque todos estimam que o número é muito maior do que isso. Em Manaus, por exemplo, no Amazonas, o número de mortes diárias triplicou, é muito maior do que os números oficiais do coronavírus, as pessoas estão morrendo em casa. Assisti anteontem uma entrevista do governador do Pará, Helder Barbalho, onde ele dizia que a média diária de mortes cresceu 50 na cidade de Manaus, ou seja, 50 pessoas estão morrendo a mais por dia. Tem os dados oficiais e tem a vida real que, às vezes, os dados oficiais não conseguem capturar, registrar todas as mortes ocorridas. O número é gigantesco, então não dá pra brincar com isso, é preciso que as pessoas mantenham distância uma das outras e usem máscara para diminuir a contaminação. 

PNotícias: sobre a economia, qual é expectativa de queda na arrecadação estadual? Já dá pra medir? E qual é a expectativa do senhor a respeito do auxílio emergencial para os estados, aprovado pelo Senado?
Rui Costa:
o Senado aprovou, essa é uma ajuda importante e eu espero que a Câmara também aprove hoje. A situação é muito grande, a queda de arrecadação de estados e municípios vai ser muito grande porque a arrecadação de estados e de municípios tem uma relação direta com a atividade econômica, com o consumo, com a prestação de serviço e como nós estamos recomendando que a população fique em casa, o consumo cai drasticamente e a prestação de serviço também cai bastante, com isso despenca a arrecadação dos estados e municípios. O Senado aprovou e eu espero que a Câmara vote hoje essa ajuda que é importante pra gente passar esse período aí, essa tempestade e a gente possa voltar mais rapidamente à vida normal. O normal agora vai ser um pouco diferente do que era o normal antes do vírus e nós vamos ter que conviver com ele pelo menos até sair a vacina, nós vamos ter algumas limitações de convívio social até que a vacina possa estar disponível pra humanidade. 

PNotícias: nesta pandemia, uma coisa terrível que tem acontecido são as notícias falsas. O senhor tornou-se uma das figuras públicas mais atacadas pelas fake news. Por que isso tem acontecido?
Rui Costa:
é, infelizmente no Brasil, entre tantas agressões, nós temos hoje essa agressão da notícia falsa, da calúnia, da difamação, que é chamada aí de fake news. Infelizmente, ontem à noite eu vi um relatório de que três governadores durante o mês de abril foram os mais atacados, entre eles, eu e o governador do Maranhão. Inclusive, a Globo ontem postou e nós publicamos no nosso Instagram e no Facebook, a matéria da Globo se referindo a uma notícia falsa, montada. Infelizmente funciona assim, tem gente profissional, uma quadrilha organizada no país inteiro, de criminosos que produzem essas notícias falsas, editam vídeos, cortam e acrescentam vozes, acrescentam textos pra induzir o leitor ao entendimento errado e levar a informação errada. Então isso tem tanto agressão às pessoas como também notícias falsas em relação ao vírus. O Fantástico inclusive mostrou no domingo muitas notícias falsas, recomendando as pessoas a beberem líquidos, a tomarem determinadas coisas que ficariam livres do coronavírus. Isso infelizmente tem provocado no mundo muitos problemas, de pessoas até tomando desinfetante porque viram em algum lugar que tantas gotas de desinfetante ajudariam a matar o vírus e infelizmente muitas pessoas se iludem, se enganam. Por isso eu digo: tomem muito cuidado com grupos de “zap”. Os criminosos, os marginais, usam preferencialmente grupos de “zap” pra disseminar mentiras porque ali é mais difícil de ele ser rastreado. Quando ele pública numa rede social é mais fácil de identificar, mas quando ele usa grupos de “zap”, fica mais difícil de identificar os marginais, portanto tome muito cuidado de qual grupo de “zap” você participa, quem pública e toda vez que tiver gente publicando notícias falsas, saia desse grupo, é a melhor sugestão que eu dou, saia porque ali só tem gente do mal, do espírito do mal, querendo fazer mal ao próximo e não é bom você estar num grupo desse.

PNotícias: o senhor ficou de encaminhar pra Assembleia Legislativa um projeto de lei pra penalizar esses autores de notícia falsas. Quem propagar a fake news vai ser penalizado, não vai passar despercebido?
Rui Costa:
exatamente. As pessoas têm que ter a consciência que é crime. Não só quem cria notícias falsas, mas também quem repassa pra outras pessoas as notícias falsas porque tem pessoas que recebem aquela notícia, não sabem se é verdade ou se é mentira, mas passa pra frente a notícia, reenviando isso para outros grupos. Isso porque esses marginais confiam que muitas pessoas vão passar pra frente sem verificar se é verdade ou mentira aquela notícia. Então, a recomendação alertando que é crime, as pessoas podem receber processo, serem multadas, se passarem notícias falsas para frente. Se você recebeu uma notícia num grupo de “zap”, você não sabe se é verdade, se é mentira, não passe pra ninguém porque você não tem certeza se aquela notícia é verdadeira ou não. Hoje tem vários portais aí que você pode até verificar se a notícia é falsa ou não e muita gente, vítima de notícia falsa, cadastra sempre nesses sites pra que as pessoas saibam o que é mentira e o que não é. 

PNotícias: muita gente tem dúvidas ainda sobre a questão dos testes do coronavírus. Qual é o posicionamento do Governo da Bahia quanto aos testes de farmácia?
Rui Costa:
eu determinei no final de semana que o secretário Fábio Vilas-Boas possa duplicar a capacidade do teste, pra gente aumentar o volume de testes aqui na Bahia, não o teste rápido, o teste chamado de PCR que é o teste que dá o resultado mais preciso. Eu tenho muita dúvida, como a população também tem, do uso desses testes rápidos em massa nas farmácias e tendo a achar que vai ser mais um ponto de contaminação da população porque a farmácia não é o lugar próprio de receber pessoas com o vírus positivo. Na medida em que você cria um teste, vai procurar fazer o teste, na sua grande maioria, pessoas que estão com algum sintoma. Então você vai levar para as farmácias, pessoas que muito provavelmente, ou com alguma chance maior, vão estar com o vírus. Dentro das farmácias vai encontrar com pessoas idosas, que foram lá comprar seu remédio da pressão, outros medicamentos que os idosos compram e com isso você vai aumentar as chances de contaminação dessas pessoas idosas, dessas pessoas que têm outras doenças. E quem frequenta mais farmácia? São pessoas idosas, são pais e mães que às vezes vão comprar remédio para os filhos, ou pessoas que têm outras doenças e constantemente precisam ir na farmácia comprar seus remédios. Além do que, esses testes chamados testes rápidos, eles têm a margem de erro muito grande. A depender do fabricante, a sensibilidade dele é de apenas 30%, ou seja, em 10 testes feitos, 7 ele dá resultado errado e acerta só três. Ou seja, você vai lá, faz o teste e dá negativo, a pessoa sai dali confiante que não tem o vírus e a pessoa já pode ter o vírus porque ele erra mais do que acerta. É uma falsa ilusão que você vai estar dando a pessoa de que a pessoa não tem nada e ela sai dali confiante, mantendo contato com seus pais, seus avós, sua família, seus vizinhos e contaminando todo mundo. Então a gente vê com muita preocupação a disseminação do uso desse teste, sem explicitar pra população que a maior parte do resultado desse teste rápido dá resultado falso porque ele mede o anticorpo que o organismo está gerando pra defender do vírus, mas o corpo só reage a partir do sétimo dia. O grau de precisão desse teste é dez dias depois da contaminação, então se você faz o teste, por exemplo, no quinto dia depois que você foi contaminado, o teste vai dar negativo, mas você está contaminado. Você vai sair confiante de que não tem nada, quando na verdade você está contaminado e contaminando as outras pessoas. É por isso que nós temos muitas dúvidas e muitos questionamentos sobre essa liberação que a Anvisa fez do uso de testes rápidos nas farmácias. 

PNotícias: foram ampliados para o interior o maior volume de exames na Bahia?
Rui Costa: sim. Começou ontem em Vitória da Conquista e Barreiras a fazer o exame. O protocolo exige que você faça simultaneamente durante três dias o teste com um laboratório homologado, então segunda, terça e quarta, eles vão fazer o exame e vai mandar uma cópia para Salvador. Aqui vai ser feito também o exame pra comparar o resultado, se durante três dias o resultado der o mesmo, eles estão homologados pra fazer sozinhos a partir de quinta-feira os exames. Mas a boa notícia é de que já começaram em Barreiras e em Conquista e com isso, a gente aumenta o volume de exames e diminui a distância. Pessoas que estavam em Bom Jesus da Lapa, Guanambi, Brumado, Caetité, Itapetinga, que tinham que mandar seus exames pra Salvador, podem agora enviar seus exames pra Conquista e isso vai agilizar muito o resultado e também a possibilidade que a gente faça mais exames. Quanto mais exames a gente fizer, maior a chance de controlar a pandemia.

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