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Psicóloga fala sobre polêmica “Bel Para Meninas”; entenda o caso

21 de Maio de 2020 às 20h57 - Por: Milena Ribeiro Foto: Reprodução
[Psicóloga fala sobre polêmica “Bel Para Meninas”; entenda o caso]

Pais da youtuber Bel se pronunciam sobre o assunto

Na última segunda-feira (18), a hastag #SalvemBelParaMeninas ficou entre os assuntos mais comentados do Brasil no Twitter. Isto porque um usuário da rede social resolveu elaborar uma thread, sequência de tweets, expondo supostos abusos psicológicos sofrido pela youtuber Isabel Magdalena, mais conhecida como Bel, causados pela sua mãe Francinete, conhecida como Fran. 

Dentre as acusações, os internautas pontuaram que Francinete pressionava Bel a produzir conteúdos que não condiziam mais com a sua idade, além da demasiada exposição que a menina sofre no seu canal do YouTube. Vale ressaltar que Bel tinha 8 anos quando o canal foi criado e que, atualmente, ela tem 13, contudo, o conteúdo do canal não se diversificou no decorrer dos anos, ou seja, não acompanhou o crescimento da pré-adolescente. O canal, intitulado como “Bel Para Meninas”, permanece seguindo a mesma linha de anos atrás. Questionada sobre essa situação, Fran alegava que Bel não se sentia como uma pré-adolescente preferia se comportar como uma criança.

Confira as threads a respeito desse assunto:

 

Bastou essa sequência de tweets expor que, possivelmente, Bel estaria sob coação da mãe, agindo por obrigação, que o caso ganhou imensa repercussão e se expandiu para além das telas dos computadores e smartphones. O Ministério Público foi acionado para averiguar o caso e, nesta quarta-feira (20), o Conselho Tutelar foi até a casa da mãe da youtuber. Além disso, o jornalista Luiz Bacci, apresentador do Cidade Alerta, da Record, também começou a investigar a polêmica. Alguns influencers também comentaram sobre o assunto e frisaram a importância de tratar esse caso com seriedade, protegendo, sobretudo, a imagem de Bel.

 

Ao vivo, Bacci leu uma carta enviada pelo pai de Bel, Maurício, mas rebateu as afirmações feitas por ele no documento. Em um dos trechos, o pai da youtuber diz que as “críticas, denúncias e acusações” são baseadas numa visão de mundo cheias de “inveja, ódio e preconceito”. Discordando, Bacci respondeu: “Quem está com inveja desse canalzinho seu aí, filho? Você tem 1,3 milhão de seguidores no Instagram. Isso é o que eu tenho de views nos stories. Não tenho inveja nenhuma de você! Nós temos é preocupação com a Bel e sua outra filha. Ódio? Meu coração está superpuro. Preconceito do quê? Se eu tivesse preconceito com você, nem botava repórter na porta da sua casa para você falar”.

 

Em outro trecho, Maurício crítica os veículos de informação que estão apurando o caso. Ele afirma que “o sensacionalismo é praticado por alguns veículos de comunicação com o intuito de aumentar a sua audiência através do exagero”. Irritado, Bacci responde: “Não venha me medir com sua régua, porque exagero para mim é pegar uma criança, obrigá-la a comer uma porcaria de uma gororoba, fazê-la vomitar e dar risada porque isso atrai seguidores para o seu canal, e, dessa forma, você enche o seu bolso de dinheiro. Exagero, para mim, não é mostrar e dar direito a ampla defesa para vocês. Exagero, na minha concepção, é você enfiar sal de frutas a seco na boca da sua filha para que ela passe mal, para que as pessoas deem risada de uma criança, ao que parece, segundo as denúncias, está sendo humilhada, constrangida, em troca de likes no YouTube para o pai e a mãe ganharem dinheiro”.

Nesta quinta-feira (21), Fran e Maurício utilizaram o canal no YouTube para esclarecer o assunto. Lendo um texto de um papel que estava na mão de Fran, ela resumiu o fato como uma “série de notícias mentirosas e falsas”. E garantiu que “tal campanha não tem fundamentos com fatos verídicos.

Veja o vídeo na íntegra:

 

O PNotícias conversou com Marta Érica de Souza, psicóloga do Hapvida Saúde, a fim de esclarecer as questões levantadas acerca do assunto e entender os danos que esta super-exposição pode causar na vida da pré-adolescente. 

Questionada se existe a possibilidade de constatar abuso psicológico através dos vídeos publicados no canal da menina, Marta ponderou e afirmou que, para chegar a essa conclusão, deve-se fazer uma análise jurídica e psicológica, pondo o desejo de Bel como a principal questão. Ela disse: “Há uma linha muito tênue quando falamos sobre relações parentais e seus direitos sobre a criança. Nesse sentido, alguns fatores devem ser pensados e analisados antes qualquer julgamento. Na esfera jurídica, devemos ter em mãos o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que nos diz sobre os direitos da criança e de como o estado, família e sociedade devem se comportar, verificando a partir de então se há alguma inconformidade na criação que está ou não registrada e exposta nas redes sociais. Já na seara psicológica, pensando na formação da criança, seria preciso verificar o desejo desta e como a família se porta diante das mais diferentes situações, além de intentar como a criança vê e sente essa situação”. 

O PNotícias perguntou ainda sobre a questão comportamental que, supostamente, a menina prefere adotar, agindo como no início do seu canal, quando tinha apenas 8 anos, mesmo que agora já tenha 13. Perguntada se isso poderia ser prejudicial à saúde mental de Bel e poderia causar algum dano futuro, Marta respondeu: “Deve-se, de antemão, verificar se há obrigatoriedade na confecção dos vídeos, análise esta que pode ser realizada através de um psicólogo que atuará junto à família para verificar o desejo da criança/adolescente e a influência da comunidade ao qual está inserida. Após a primeira análise, é imprescindível ponderar o entendimento da adolescente sobre o texto/imagem e suas possíveis repercussões para si e outros receptores”. 

Respondendo se é normal a pré-adolescente ainda permanecer agindo como criança, ela disse: “O fato "normalidade" se dará a partir de questões éticas e a qual ponto de vista está sendo julgado determinado conteúdo, além do quão costumeiro aquele conteúdo se apresenta na comunidade”.

Marta respondeu também sobre como a vida de uma criança é afetada pela superexposição nas redes sociais. Ela disse: “Ao fazer uma rápida olhada nas redes sociais, podemos observar que diversos pais e familiares expõem crianças desde muito novas - o primeiro sorriso, a troca de fralda ou a ida a escola. Infelizmente, essa super exposição, que inicialmente é tratada como uma brincadeira, poderá trazer consequências ruins para a criança. Os pais devem ter em mente que um rastro digital não pode ser apagado ou simplesmente esquecido na rede, pensando desta maneira, poderíamos pensar que várias "Bel" estão, hoje, sendo expostas sem a verificação do seu real interesse, para isto institui-se a LGPD (lei geral de proteção de dados) onde no artigo 14 determina que dados pessoais de crianças e adolescentes deverão ser tratados em seu melhor interesse, o qual deve ser da criança/adolescente e não dos pais ou familiares”. 

Marta ainda ressaltou que, caso seja confirmado o abuso, não apenas a criança deverá iniciar o atendimento psicológico, mas também a sua família.

O PNotícias perguntou, então, como identificar que os pais estão sendo tóxicos com os seus filhos, abusando do poder que eles têm e prejudicando o crescimento da criança. Sobre isso, Marta alertou: “Pequenas mudanças de comportamento podem ser verificadas a partir do momento em que essa criança/adolescente apresenta algum tipo de sofrimento psíquico ou físico, dessa forma é necessário que a sociedade, familiares e escola fiquem atentos a possíveis transformações. Em geral, os pais tóxicos não respeitam a individualidade dos filhos, impedem o crescimento não permitindo autonomia e independência, além de outros fatores. A identificação poderá ser feita a partir da observação social e psicoterapia, e sendo desta forma necessário fortalecer a rede e apoio”.

Por fim, Marta pontuou que algumas medidas podem ser adotadas, caso seja verificado que a superexposição esteja causando algum dano na vida da menina ou podendo, no futuro, interferir na vida pessoal da criança,. Ela disse: “A partir de então, pode-se iniciar o processo de distanciamento das redes sociais para que haja a aproximação com outras formas de interação com o mundo. Tendo como base o respeito à individualidade do (a) menor, inseri-lo (a) em grupos de idade similar e gostos específicos são excelentes alternativas para que ele (a) retome a vida habitual. Aulas de música, o ensino de artes, bem como o resgate ao convívio familiar devem ser somados nesse recomeço”.

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